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Construção civil deve crescer 4,9% em 2007

A construção civil deverá crescer 5% em 2006. Em 2007, se o PIB crescer 3,5%, o setor terá crescimento de 4,9%. As previsões foram anunciadas pelo presidente do SindusCon-SP, João Claudio Robusti, em entrevista coletiva à imprensa, com a participação do diretor de Economia do sindicato, Eduardo May Zaidan, e da consultora da FGV Projetos, Ana Maria Castelo.

Vários indicadores sustentam os prognósticos, segundo a entidade. A taxa acumulada do produto do setor até o terceiro trimestre de 2006 era de 5%. Naqueles três meses, o setor registrava crescimento de 5,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Confirmando-se o resultado positivo de 2006, a construção comemorará três anos seguidos de crescimento, alcançando o melhor patamar desde o Plano Real.

O indicador mais expressivo do crescimento da atividade da construção se traduzia no nível de emprego, que havia crescido 9,5% até setembro, quando o setor registrava a marca de 1,539 milhão de trabalhadores formais. O segmento de Edificações, responsável por 60% dos postos de trabalho, havia aumentado seu nível de contratações em 6,3% no acumulado do ano.

O estado de São Paulo acompanhou este movimento em todas as suas regiões. Na capital paulista, por exemplo, o emprego formal havia crescido 8,5% de janeiro a setembro, mês em que o número de empregados formais atingia 412,5 mil. Aqui também o segmento de edificações, com 54% dos postos de trabalho, registrava elevação de 6% no nível de emprego.

Os bons ventos também sopravam em outros indicadores. Até setembro, o volume de vendas do comércio de materiais de construção havia aumentado 3,7%. No mesmo período, a produção do cimento tinha registrado elevação de 7% e o consumo de cimento, quase 9%. Em relação ao vergalhão de aço, as taxas de crescimento da produção e do consumo eram ainda mais expressivas: 15,5% e 20%, respectivamente. Um dado relevante: as construtoras - e não o "consumo formiga" que caracteriza a auto-construção - apareciam como as principais responsáveis pelo crescimento das vendas do comércio.

A explicação para esses dados está nos estímulos oficiais e no aumento do volume de financiamentos. Os recursos vieram de várias frentes, como Poupança, FGTS, mercado de capitais, Orçamento e BNDES. Mas o financiamento habitacional foi o grande favorecido e o segmento de edificações residenciais respondeu por boa parte do resultado observado no ano.

Cerca de R$ 9,2 bilhões da Poupança devem financiar em torno de 120 mil unidades habitacionais em 2006, segundo expectativa da Abecip (crédito imobiliário). Até outubro, a habitação de interesse social registrava a aplicação de cerca de R$ 7,1 bilhões, com recursos do FGTS e do PAR. Destes recursos, cerca de 40% foram dirigidos para a produção de novas habitações e o Conselho Curador do FGTS decidiu que este percentual deverá ser de 50% em 2007.

O mesmo desempenho positivo não caracterizou outros segmentos da construção. Em 2006, a União direcionou apenas R$ 643 milhões para transportes e R$ 547 milhões para saneamento. Problemas como ausência de marco regulatório, como no caso do saneamento, ou dificuldades na gestão dos recursos, como na habitação de interesse social, levaram à não-aplicação da totalidade das verbas disponíveis.

Ventos a favor - Em 2007, a construção deverá contar com R$ 10 bilhões da Poupança; R$ 11,2 bilhões do FGTS, dos quais R$ 8,5 bilhões para a habitação; e R$ 2,7 bilhões para o saneamento.

Para infra-estrutura deverão vir cerca de R$ 6 bilhões por meio do Projeto Piloto de Investimentos (PPI), dos quais R$ 3,9 bilhões seriam destinados à área de transportes. Adicionalmente, facilidades como o crédito consignado e as prestações fixas deverão alavancar os financiamentos imobiliários.

Fonte: UOL Notícias - Canal Executivo

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